janeiro de 2016
21/01/2016
(fim de festa na casa do vovô)
Eu sempre detestei a temporada de festas dezembro/janeiro.
Minha vida nunca foi badalada ao ponto de eu ser chamada pra festas cool kids
da escola, minha família há anos não tem animo pra grandes jantares e meu pai,
por medo da crise apocalíptica anunciada para o ano próximo, não queria saber
de viagens. (Por ele, passaríamos natal e ano novo trabalhando na loja dele,
evitando as barganhas das velhinhas que vão de excursão comprar tapetes). O
Natal foi sem graça, e o ano novo passei com uns amigos. A parte mais legal é
que um deles tirou carta, então, muito adultos como somos, após o 00:00
esquecemos completamente a tequila que a Bianca conseguiu e fomos de carro até
uma parte afastada da cidade pra comer chocolate ruim vendidos a 3 reais a dúzia e
explodir bombinhas enquanto proseávamos sobre nada. Que belo retrato da
juventude brasileira.
todo mundo é gótico e usou preto no ano novo
Passada as celebrações, entrei em 2016 com a paranoia do
terceirão. Paranoia essa tão palpável que Lívia, minha prima que divide quarto
comigo aqui no meu avô disse que enquanto durmo grunho "que .. que vai
acontecer.... ano.. que vemm?" ou "a.... fuvest tá
chegando....".
Ano passado passei na fuvest como treineiro em humanas
contra todas as minhas expectativas. 2015 fiz menos pontos e achei a segunda
fase bem mais difícil. Um amigo meu saiu da prova dizendo que estava fácil, que
foi bem. Acho que não existe heresia maior do que dizer que a fuvest estava
fácil. Se eu fosse reitora, procuraria todos os espertinhos que comentassem
algo parecido no twitter e os tiraria de qualquer lista de chamada por deboche.
Mais respeito, mocinho.
O fato é que provavelmente não passarei e isso trará minha
auto estima estudantil bem pra baixo. Sabe como é, quando a gente tá no ensino
médio, ou se é popular, ou se é espertinho. Os professores, os alunos, nossos
pais e nós mesmos categorizamos tanto as pessoas. Sei muito bem que rótulos
como esse são estúpidos e que minha nota num vestibular elitista e absurdo não
diz nada quanto meu intelecto, mesmo assim, me pego com uma sensação péssima de
derrota ao imaginar o carimbo verde de aprovado distante da minha prova.
And that's a really fuck up thing porque vejo muito dos meus
amigos se sentindo um lixo porque a nota no enem não foi boa, ou porque tal
pessoa tirou 70 na unicamp e eles só 57. Naquele discurso famoso da ChimamandaAdichie ela diz que nós garotas somos estimuladas a vernos como competidoras,
mas não para estudos e empregos, o que ela acha que seria uma coisa boa. Eu não
acho nem um pouco que isso é uma coisa boa. É horrível que eu não tenha podido
ficar feliz por esse amigo que disse que foi bem porque eu estava me sentindo
um lixo por não ter ido bem eu mesma.
De qualquer forma, passei 100% das minhas férias num marasmo
nunca antes visto. Quando estava em Ibitinga, eu e Guilherme, o boy, víamos filme, tínhamos crises de personalidades e tomávamos suco de laranja, quase num ciclo onde um puxava o outro. Dias belíssimos.
Estou hoje em Minas, na casa do meu avô, e fui dar o azar
(ou sorte) de estar aqui quando todos (TODOS) os meus amigos e primos estão
viajando. Ficamos o dia todo, eu e meu vô, as vezes com a companhia de tia Rose
ou tia Bel, just hanging, vendo uma globozinha ou fofocando sobre a vida
alheia. Meu avô é um cara fantástico. Algum dia falo dele.
Dos planos futuros, além da volta as aulas na segunda-feira
próxima (</3), tenho, no dia 31, a segunda fase da seleção do UWC. É uma
entrevista e não faço a mínima ideia do que me perguntarão. Como se diz
"Eu tenho certeza absoluta que não existe lugar que eu pertença mais nem
que algum dos outros competidores é mais a-cara-do-colégio do que eu por favor
me dá essa vaga nunca te pedi nada" sem soar desesperada & louca? E dia 1 é aniversário do Gui, preciso muito comprar um presente bonitinho pra ele.
me disseram que feminismo é falta de rola
16/01/2016Falam da rola na novela
Tantos nomes para a rola
Pinto
Piru
Pênis
Bastão
Espada
Falam de rola baixinho, entre risadas, como se fosse engraçado
Rabiscam a rola na porta do banheiro da escola
Rabiscam nos meus cadernos, no meu livro
Pixam a rola nos muros
Tem rola no metrô, na cara de todo mundo
Tem a rola em todos os pornôs
Falam de rola o tempo todo, religiosamente
E por falar nisso
Tem rola até na igreja, vê se pode!
Tem rola tentando entrar em relacionamento lésbico, onde nunca devia entrar
"Posso participar?"
Tem a rola de um desconhecido roçando na sua calça numa balada sem você consentir sem você pedir
Tem a rola que te segue a noite por quarteirões e num beco qualquer se apresente
A força
te faz engolir
te faz responder
te faz observar
te obriga a ficar quieta
se calar
Me mandam procurar rola
Meu irmão, feminismo não é falta de rola
É excesso.
(baseado num comentário de facebook que perdi)
5 livros pra ler em 2016
09/01/2016
(As fotos tem pouca qualidade, mas é só pra ilustrar mesmo)
To muito interessada em Literatura da América Latina! Queria poder ler no espanhol original, mas não acho que seja 100% capaz ainda e nem tenho um exemplar aqui. Mário Vargas Llosa é peruano e vencedor do Nobelzão, acho que Pantaleón e as Visitadoras é uma das suas principais obras e não sei muito sobre o enredo, mas sei que envolve prostitutas e o Amazonas hahaha
Comecei a ler Terra Sonâmbula ano passado, mas por algum motivo não terminei. O caso é que acho Mia Couto fantástico, fantastiquíssimo. Terra Sonâmbula também tá na lista da Unicamp, o que deve ajudar no vestibular esse ano.
Cheguei em Borges quando disse pro meu irmão que não me interessava muito por literatura fantástica, que achava meio sem graça. Ele me deu de presente Ficções e O Aleph, duas coletâneas de contos fantásticos de qualidade imensurável. Ele é argentino e uma anedota engraçada é que ele é responsável pela biblioteca nacional da Argentina e depois de velhinho ficou cego. Um bibliotecário cego, que característico. né mesmo?
Te
Esse é um livrinho bem curto do Tolstoi que conta a história da morte de Ivan Ilitch, um funcionário público medíocre e sem graça. Eu já li Anna Karenina, que amei de morrer, e tenho aqui também Ressurreição, que ia colocar na lista, mas como faz o gênero Novelão Russo de 1000 Páginas, e esse é ano de vestibular, escolhi um mais curtinho.
Jamais superarei aquela obra de arte chamada Cem Anos de Solidão. Meu livro favorito, a melhor coisa que já li. Acho García Márquez um gênio ímpar e queria muito que na escola tivéssemos aula de Literatura Latina-Americana só pra ouvir desse homem. Amor Nos Tempos de Cólera é sua segunda mais importante obra além de livro favorito de várias pessoas que amo. Altas expectativas.
~ EXTRAS ~
- Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machadão
- Capitães de Areia (releitura), Jorge Amado ♥
- Crônica de Uma Morte Anunciada, Gabriel García Márquez
- O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick
- Todos os poemas do Fernando Pessoa que conseguir
- Algo do Cortázar
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