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Vergonhas de Estimação

16/12/2015
Você tem uma vergonha de estimação? A minha mais querida foi de um dia no cursinho de inglês quando, dando risadinhas, fiquei lembrando do episódio de Friends que tinha visto. O professor, no seu lugar de professor, perguntou porque eu estava sorrindo e eu, no meu lugar de quebradora de padrões, em vez de responder "nada não" decidi-me por contar o que acontece quando Joe e Mônica vão à praia. Desnecessário, Ana Paula, desnecessário. Depois de abrir a boca percebi que aquilo não seria engraçado, ninguém daria risada, todos ficariam inconfortáveis e eu avermelharia ao ponto de explodir. Dito e feito. 

Às vezes acordo no meio da noite e rezo minha prece ateia pra que ninguém lembre daquilo. Aconteceu 2 anos atrás. 

thoughts from places: A Vila dos Bancários

13/12/2015
(Thoughts from Places é uma categoria de vídeos do Vlogsbrothers, recomendo forte que vocês deem uma olhada nesse canal e especialmente, nessa playlist.)




  
Desde outubro, o Interact Club (que faço parte) arrecadou, limpo, consertou e embrulhou brinquedos doados para que fossem presentes de Natal das crianças da Vila dos Bancários, o bairro mais pobre da cidade. Ontem a gente foi nas casas entregá-los e pensei umas coisinhas:

  • A gente, classe média, tem muito medo de pobre. Talvez eu seja ingênua e não digo que precaução seja bobagem, mas me assustei quando minha mãe mandou que eu prendesse meu cabelo, porque as crianças com certeza têm piolho. Ou então que algumas pessoas que foram comigo se sentissem extremamente inseguras com seus celulares só por estarem lá.
  • Houve essa casa, logo no começo, ela era feia, feia, feia, mal construída, um pouco torta, sem reboco, sem pintura. A mãe abriu a porta, seus dentes eram tortos, o cabelo desgrenhado, tinha uma barriga grande e os braços finos, como um doente, e o pai (havia um pai!) apareceu por trás, com botinas sujas de terra e barba pra fazer. Ela deu um quase sorriso ao nos ver e foi buscar a criança. E o garoto era tão lindo, tirou suspiros de todo mundo. Devia ter menos de um ano, branquinho como eu, com cabelos loiros penteados de lado, olhos azuis como você espera que suecos tenham. Foi tão surreal. Aquele menino era a personificação da nobreza, sabe? Tudo que você espera de um filho de madame, daria um homem lindo. E ele estava naquele lugar, que era o oposto da nobreza. E isso acontece porque pobreza foi criado pelo homem, sabe? Você já sabe disso, mas é bom repetir: nós que nos dividimos. A natureza ignora tanto isso que ali estava menino, beleza de nascença, na feiúra que nós criamos.
  • O pobre é invisível. As ruas daquele bairro são estreitíssimas, mal feitas, não tem calçada, não tem postes. Até a igreja do bairro é horrível, suja, com infiltração nas paredes. Os italianos da renascença acreditavam na arquitetura como um potencializador de orgulho: os prédios, as praças, as fontes de Veneza e Gênova são lindas porque aqueles homens perceberam que, se o lugar público for belo, então as pessoas ficarão felizes de pertencerem àquelas cidades. Por que a prefeitura de Ibitinga não conserta as ruas da Vila dos Bancários? Por que ela não disponibiliza um engenheiro que, ao menos, ajude as pessoas a construírem casas retas, com fundição e teto? Porque eles são invisíveis, ninguém vive lá.
  • O pobre não tem murros. A Vila dos Bancários foi o bairro com mais vida que já conheci. As pessoas se sentam em frente suas casas e conversam com os vizinhos! Vocês não queriam ter isso? No montanhês, o bairro mais rico da cidade, os murros são tão altos, as câmeras de vigilância são tão potentes, as grades tão grossas. Por que nos prendemos? Por que nos isolamos? 

coisas que eu queria aprender na escola

08/11/2015


Ana Paula até um tempo atrás aparentava ser o clássico de menina nerd. Pra ser honesta, eu não era exatamente isso, nunca fui de estressar com escola, especialmente porque eu ia muito bem sem me esforçar muito - não dá pra não soar metida dizendo isso. Acontece que recentemente eu mudei de escola e e me peguei várias vezes na aula de química surpreendentemente revoltadíssima, porque eu aprendo orgânica, sem aprender o que é orgânica, pra que serve orgânica, em que momento eu poderei usar meus conhecimentos de orgânica e acabo o semestre sabendo nomear vários aldeídos, mas não sabendo merda nenhuma do que é um aldeído. E você sabe por que?
Escola claramente não te prepara pra vida. Não te prepara pra faculdade. Te prepara para um único dia da sua vida: o dia do

Vestibular. V-E-S-T-I-B-U-L-A-R. vestibular.

E eu estou ouvindo muito sobre isso porque ano que vem vou pro terceiro ano e já não aguento mais dessa porcaria. Eis coisas que eu queria ter aprendido na escola. 






# Como lidar com pessoas e comigo 
Tá todo mundo fodido. Isso que deveria ser estudado na escolar. Ler livros como A Redoma de Vidro  - sepá não, muito forte - e ter palestras com psicólogos que me expliquem porque eu me sinto assim e como me sentir melhor. Aprender  a ver sinais de depressão ou ansiedade em outras pessoas e como ajudar. Técnicas de relaxamento - yoga, sei lá - pra quem é estressado saber lidar. Entender relacionamentos, ver que sexualidade dos outros é escolha única e exclusiva dos outros. Sexo não mata, sexo não é obrigatório, sexo não vai definir as pessoas. 

# Política
Ano passado meu professor de sociologia perguntou qual a diferença de um senador e um deputado federal e NINGUÉM sabia. Não sei o que é uma CPI. Tem gente que xinga a Dilma pela reorganização das escolas estaduais em São Paulo. Porque eu voto? Como o Judiciário funciona? Democracia realmente é o melhor sistema? O que capitalismo tem a ver com isso? 

# Me preparar para a faculdade 
Além do óbvio, que seria realmente acompanhar os alunos e dar um apoio na hora de escolher o curso, a universidade e quais vestibulares prestar, o que diabos é um seminário? Como se faz fixamento? Relatório? (cri cri cri) 

# Arte - do jeito certo 
Pare de mandar crianças fazerem cópias do Abapuru. Tem que ter arte no ensino médio e tem que ter do jeito certo. Vocês já viram a parte de arte do The School of Life? Ou o Art Assingment? Arte no escola deveria ser mais sobre isso e menos sobre um cara apontando pra Guernica no data show. Queria muito que me fizessem fazer coisas de verdade, sabe? Talvez no primeiro ano deveria haver um campeonato de curtas ou um clube de teatro. 

# Inglês 
Graças a deus eu nunca dependi da escola pra aprender inglês.

# Deveria ser mais do que notas 
E isso é o mais importante: vejo gente que não se permite uma noite de folga dos estudos. E o pior é que essas pessoas tem completa convicção de que eles estão fazendo tudo certo e que são mais inteligente que os outros, ou mais merecedoras do que os outros porque claramente elas estão se esforçando mais. E assim, nós ignoramos que Joãozinho não consegue ficar horas sentado em fileira olhando para o nada e enchemos Joãozinho de rivotril porque com certeza, tem algo de errado com Joãozinho. Ou então Maria, que nada mais rápido e melhor que toda a cidade, por não conseguir lidar com matemática vai parar a natação: precisa se dedicar mais. Nós dizemos que Joãozinho e Maria são burros. Dizemos várias vezes. Por anos. Até que João e Maria acreditam que são burros. E isso é a coisa mais triste do mundo. 



Essa história de que devemos aprender tudo - físicaquimicamatematicahistoriaportuguês - é uma bobagem inventada por Iluministas que idealizaram esse modelo pensando em pessoas que não tinham acesso à democracia, à internet, à livros. Nós temos muito mais nas nossas mãos e não podemos ser tratados como esses mesmos  alunos. Ano que vem eu vou para o ultimo ano da minha vida escolar exausta, com sensação de não ter realmente aprendido nada, com professores que dão aula para meus colegas já faz anos e ainda não decoraram o nome da maioria da turma. E fico triste em saber que, no mais otimista cenário, daqui a uns 30 anos vamos ter mudado alguma coisinha. 

desventuras

27/10/2015
Na semana do Saco cheio viajei pra Minas (<3) e pra São Paulo. Puta merda, que cidade né gente? Sei lá, talvez caso eu me mude pra Capitá eu acabe odiando todos os problemas, mas tão difícil eu, menina do interior, não me deslumbrar com tudo enorme e tão claustrofóbico ao mesmo tempo. Enquanto eu andava no metrô com meu irmão, no carro da minha tia ou quando fui na Paulista aberta (♥ ♥ ♥ Haddad ♥ ♥ ♥) na minha cabeça tocava Sampa, do Caetano Veloso. Não tem sensação melhor, queridos. Fui pra lá na verdade pra fazer uma prova pra uma espécie de intercâmbio, o UWC. Sabe quando você quer uma coisa, quer tanto essa coisa, mas tanto, que chega a doer? Pois é. Nunca quis tanto passar nisso, mas acho bem provável que não aconteça. Ai ai. Sai dia 31 o resultado, torçam por mim :)










Ana Girassol
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