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I've never seen a diamond in the flesh

25/10/2015
Eu não sabia o que era Pandora até algumas semanas atrás. Meu guarda-roupa não possui uma peça sequer da Abercombie ou da Hollister. Os colares que uso são de ferro pintado, meus sapatos nunca ultrapassam 170 reais. O jeans que vai escola é o mesmo com que vou na festa no sábado. Não me importo em usar moedas. O que decora meu quarto são poster impressos numa gráfica por 3 reais, artigos de lojas de 1,99 e velharias. Não reclamaria caso isso mudasse, mas não faço esforço para que aconteça. Eu quero gastar meu dinheiro aprendendo idiomas, viajando pra Europa e pra América Latina, com cadernos onde eu possa escrever, com fotografia, com filmes, com arte. Eu não quero jeans de 400 reais da Lança Perfume porque a qualidade é melhor e porque vai durar mais. Eu não quero que nada dure mais. Eu quero gastar 400 reais numa noite, num show de algum sobrevivente da década de 80. Pagando para que todos os meus amigos viajam até a cidade vizinha só para tomar sorvete. Quero fazer aulas de alemão. Ou melhor: quero ir para a Alemanha e aprender enquanto gasto meu dinheiro em bares como nos filmes. Vocês falam sobre colares de diamantes, televisões, carros e casas. Eu quero falar sobre música, quero andar nas ruas aos domingos quando o sol não está forte e o vento está forte e frio, comentar Nietzsche como se eu soubéssemos alguma coisa, fumar cigarros para imitar os filmes franceses e depois dar risada de como somos bobos. Eu não quero que os outros pensem que sou rica. Nem quero ser rica. Quero ter dinheiro para poder fazer tudo que quero. Eu não ligo se pensam que sou inconveniente. Nunca me vi tão desesperada do que quando abri a torneira nos EUA e o volume d'água era suficiente para um banho. Desperdício não é pra mim. As Kardashians são divertidas, mas graças a Deus! não é a minha família.
dispenso

E, honestamente, também não vejo problema em não concordar comigo. Não acho que negar o consumismo seja uma virtude. Mesmo porque não o nego completamente. Buda falava do caminho do meio e apesar de não ser exatamente budista, acho que posso entender o que ele estava dizendo. Eu quero correr na praia, quero vestir camisetas confortáveis E bonitas. Quero conhecer YSL mas não quero ter nada deles. Talvez eu viva no vermelho porque essas coisas ou são de graça ou são way too expensive. Tem tanta coisa linda pra ver no mundo. Espero sinceramente que eu gaste todo o dinheiro que possuir, porque inflação vai ter pra sempre no Brasil e papel nunca me fez feliz. 
Dinheiro é nhê. 

do que constituem os corpos

06/10/2015
Em Minas Gerais as pessoas são todas de ferro
e vez ou outra encontra-se uma
esmeralda.

Em São Paulo as pessoas são de cana.
É raridade o açúcar - existe, embora
escondido no melaço - O que sobra é
álcool que arde
e machuca os outros.

Releitura

11/09/2015
Tenho apenas 16 anos,
E o sentimento do mundo.

Seja uma pessoa legal pra alguem hoje

21/07/2015

Conheci o Henrique logo depois de me mudar pra Ibitinga, a cidade que estou morando agora. Mas o tipo dele não me era — infelizmente — novidade, nem pra você deve ser. O Henrique é aquele cara que tem uma opinião bem alta sobre si mesmo. Isso não tem nenhum problema, auto estima baixa é um mal que não desejo nem ao meu pior inimigo. Mas acontece que o Henrique, pra  deixar claro como se ama, tem costume de desprezar as outras pessoas. Ele confunde sinceridade com ofensa, sabe? Aquela pessoa que depois de fazer um comentário totalmente desnecessário e ignorante, pede “desculpas”, alegando que é sincero, não consegue lidar com falsidade. O Henrique não entende que ser sincero não automaticamente implica em ser rude com toda pessoa que não lhe agrada, mas que respeito e educação não passam nem do necessário. Ou melhor, Henrique sabe muito bem disso, mas ele acha que ser um babaca é cool. Desculpa Henrique, ser babaca é só babaca.

Em casos, isso só passa de uma crise de pré-adolescência. Eu mesma, tive a minha. Por uns meses, o mau humor era quase uma questão de orgulho, e quando ele incomodava os outros, eu estava no lucro: era apenas uma demonstração de como eu era superior. Você sabe, quando a gente tem 13 anos, como ninguém jamais nos entenderá e tampouco seremos amados do jeito que queremos, é reconfortante acreditar que isso é assim porque somos peças de arte complicadíssimas, imensamente superiores à essas pessoas comuns. Graças a deus, essas bobagens foram embora da minha cabeça e hoje aprendi três lições que o mundo deveria conhecer, então Henrique, querido, presta atenção: 1. Não existe essa história de pessoas comuns x pessoas especiais; 2. Eu posso ter gostos e opiniões bem diferentes de alguém e isso não me torna melhor ou pior que ninguém; 3. Grosseria e mau humor gratuitos não são os melhores jeitos de fazer as pessoas gostarem de mim.

Só que por incrível que pareça, tem gente que chega aos 17, 20, 40 anos e ainda não percebe essas coisas. Elas estão por aí, se empenhando duramente em deixar o dia dos outros pior. E por mais que eu acredite que desejar o mal é trazer ele mais pra perto, esse tipo de gente me tira tão profundamente do sério que, no fundo, espero que eles próprios percebam como são babacas no fim da noite e que bata aquela bad pesada o suficiente pra fazê-los mudar, ao menos, alguma coisinha.

Falei tudo isso,  mas o meu recado pra vocês tem a ver com outras pessoas. As pessoas legais. Hoje estava tendo um dia daqueles que não são horríveis, mas que as circunstâncias acabam o piorando drasticamente até que você se rende, olha no espelho e admite que não foi nada bom. Eu já tinha até passado da fase de aceitação do fracasso que foi essa segunda-feira, quando recebi uma mensagem com uma dessas gentilezas doces que deixam um sorriso no rosto. No meu caso, deixou até lágrimas tímidas nos olhos. Veio de uma pessoa que é o claro oposto de gente babaca, conheci aqui em Ibitinga também. Então “As pessoas são flores finalmente” fez sentido.

Vinícius de Moraes disse que a vida é a arte do encontro, mesmo que haja tanto desencontro no mundo. Se o poeta permite, a vida é a gentileza, mesmo que haja tanta gente rude no mundo. Perdoe-me a inocência, mas acredito que as pessoas são todas boas e gentis no fundo, o único problema é que eles não entendem muito bem como lidar com essas sensações e acabam se atrapalhando. Dizem por aí que ser legal com eles é o melhor caminho para mostrar-lhes como se faz. É difícil, eu sei, a vontade que dá é socá-los até que peçam desculpas. Estou falando com você, mas isso é um recado para que eu mesma não perca a paciência. Lembra daquele comercial da coca-cola que fala que as pessoas boas são a maioria? São mesmo. E se não tiver nenhuma perto de você, seja você mesmo uma.

Ana Girassol
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